quinta-feira, agosto 09, 2018

Sonhos REM


Allyne Duarte 
(09/08/2018)

Para recuperar vazios que se perdem em meio a multidões:
porque, eu sou um pedaço de coisa nenhuma 
que ganha espaço entre milhares de pedaços de nadas em comum. 

E se for para ser o que nunca esteve em planos nenhum,
prefiro fazer do meu futuro uma centelha de felicidade, 
que vaga entre sonhos recorrentes, 
que se dividem em capítulos REM. 

“Tic-tac”, “tic-tac”... 
Soam as notas de um relógio sem tempo ou pulso para usá-lo, 
ruas que se cruzam em encruzilhadas 
a definirem a minha vida de tempos em tempos,
a se tornar sombrias e frias.

Se afastam, se tocam... colidem.

Impacto. 

Fazem contanto e se vão. 

Nada que seja eterno enquanto dure, 
sofrido enquanto doer, 
que se perde em meio a pedaços de coisa nenhuma, 
a ganhar espaço entre milhares de coisinhas em comum.


So lonely.


quarta-feira, julho 12, 2017

Todos nós



Naquele quarto, tudo parou. Tudo que há por lá se evaporou. A energia que antes emanava por uma tarde se foi: deixando coleções de discos, dvd’s e contas a pagar. Temos um amigo em comum.

Por um lado, eu fumo um cigarro... Foi há 10 anos! Dez longos anos. Tempo suficiente para pensar em uma vida de merda, que muitos dizem ter sido estragada. Nossos destinos se confundem.

Alguns dizem que aos mortos pertence o mundo do esquecimento, que aos ossos o local da terra... Aos amigos, a eterna lembrança. Eu sinto falta. Acho que almas também podem chorar. 

Pela rua a vagar, a dormir e a escutar... Eu não deveria estar mais aqui. Mas, eu paraliso, pacífico... Me transformo em oceano de enchentes emocionais e confusões mentais, aparelhos de jardim e janelas fechadas.

Quem poderá entender o que aconteceu?

Quem poderá compreender o porquê de sermos arrancados de quem somos?

Eu sou apenas um clarão na noite a procurar por locais que não existem, por pessoas que se tornam superficiais, perfis banais de um café barato, insetos ao redor de lâmpadas de led de brilho frio. Acho que nos entendemos.

- Se me arrancares do meu túmulo, a cerca que rege meu mundo, não saberei quem sou, quem deveria reportar: Se a ti ou a mim, ou a nós. Quem somos todos nós? 

A música morre aos lábios, como quem morre em gritos. Em agonia pela idade, pela saudade, pela maturidade... Pelas praças da cidade. 

... E até o cigarro se torna cinzas.

Para André.