Há exatos 11 anos atrás (2004-2015) a turma do 1MB “L” ingressava no hall de novos estudantes de
ensino médio do então conhecido “Colégio Dom Orione”, sendo assim constituída
de muitos jovens, que em comum compartilhavam sonhos, estudo e a vontade de
viver. Muitos destes estudantes não chegaram a se formar com a turma do 3MB “L”
em 2006, o que foi uma tristeza, mas possibilitou a entrada de diversos colegas
e novas amizades. Desse modo, para muitas pessoas o
período do colégio se contextualiza como sendo o inferno, ou o espaço para
aprender e viver novas experiências, já para outras significa o lugar de
conhecer amigos e pessoas que, possivelmente serão lembradas pelo resto da
vida. Por fim, essa pequena sessão fotográfica
tem como objetivo principal registrar com um novo olhar os cenários que
cercaram o mundo colegial de seis jovens adolescentes, do ponto de vista de uma
delas. Fotografando pontos de encontro, objetos que identificam ou lembram
todas as jovens envolvidas, situações vividas por elas, entre outros elementos que
significam certa simbologia, com o intuito de demonstrar que há amizades que
nunca morrem, e se fortalecem em pequenos detalhes.
####N.a.B.r.A####
O que muda na vida de cada pessoa
em 11 anos? E que fim leva cada um dos amigos que passam por nossas vidas e, ainda,
será que eles também recordam de lugares, objetos e situações como nós estamos
a relembrar aqui e agora? E o que seria dos seus últimos momentos de ensino
médio se ao seu lado não estiver pessoas que você se lembraria pelo resto da
vida? Às vezes o que lhe separa do seu passado é simplesmente um rio, uma rua,
uma pequena elevação... E o triste é aceitar que seus amigos já não estão com
você.
"Foram muitas as manhãs e tardes em que descemos e subimos essas ruas,
seja para apenas apreciar a vista do lado velho da cidade, ou apenas para
acompanhar amigos e conhecidos, entre eles professores de aula, que residiam à
outra margem do rio." (Allyne Araújo, 2015).
Muitos podem dizer que não, mas a
escola é o local aonde mais nos sentimos livres para escolher e brigar pelas
companhias que queremos, assim como também é lugar de sonhos e superação de
desafios. E também, momento de jurar amizades eternas.
"No caso dessa foto, me apropriei de uma imagem de minha irmã com suas
amigas – já que a mesma também trabalhou no projeto – para exemplificar o que
fazíamos em sala de aula. Nossa brincadeira era simples, como pedra, papel e
tesoura (com verdadeiros tapas de deixar marcas roxas) e diversos joguinhos de
desfio de atenção – acredite se quiser!". (Allyne Araújo, 2015).
Às vezes, você só espera que a
aula termine rápido e que possa sair pela rua e curtir as coisas de que mais gostar
e, em outras, você nem se interessa em saber se aquilo lhe fará falta um dia.
Quer mais é saber de matar aula e viver intensamente o momento.
"Até hoje não compreendo o porquê de eu não andar por aí em um Skate,
embora eu saiba muito bem a sensação e liberdade que esse pequeno brinquedinho
proporciona. Isso marca as muitas vezes que minhas amigas mataram aula ou
simplesmente fugiram de casa para encarar desafios maiores, como por exemplo,
passar dias sem dar notícia ou curtirem uma tarde em passeios nas cidades vizinhas." (Allyne Araújo, 2015).
"Se eu fui uma aluna de ensino médio exemplar? É claro que não. Se eu me
esforçava para tirar boas notas? É claro que sim, mas se você perguntar se eu
prestava atenção, sentava ao fundão, conversava demais com o orientador
educacional e desenhava demais coisas sem sentido, ai sim, você está falando de
quem eu fui." (Allyne Araújo, 2015).
E um dia você acorda e diz “é, eu
era bom nisso (matar aula), mas meus filhos não podem saber que não fui um bom
garoto na escola”, e você até sabe que eles lhe desobedecerão, mas “é hora de
assumir responsabilidades”. Crescer e amadurecer.
"Crescer leva todo um processo. E a quem diga que não, mas é verdade. Uma
das coisas que mais ouvir no meu ensino médio foi: “você precisa crescer e
arcar com suas responsabilidades”, hoje me dei conta que, você passa a vida
toda querendo ser gente grande, mas é quando você se ver como gente grande que
mais parece uma idiota em meio a tantos idiotas que pensam sob a mesma caixa.
Por isso, amadurecer é muito mais que simplesmente crescer." (Allyne Araújo, 2015).
Em uma tarde qualquer, você se
pega pensando naquela vista e imagina quantas vezes esteve perdido sem saber
que caminhos escolher, que faculdades cursar, ir embora ou ficar... Enquanto a
lição de casa ia se perdendo pela mesa.
"É incrível como vão dizer que você precisar ser mais centrado,
concentrado, conectado, fluido e regrado. No entanto, como você será um bom
adulto se tudo que é tido como bom é em tese proibido? Não falo de drogas, sexo
e festas, mas ser podado de se sentir livre para decidir e errar sobre o que
realmente quer e fazer o que realmente lhe faz bem. E depois dizem que os
jovens são complexos." (Allyne Araújo, 2015).
E quando tudo se finaliza: a
formatura, as trocas de telefone, endereços e felicitações, você sempre guardar
alguma coisa consigo, pois é uma forma de lembrar que suas amigas não estão
aqui, mas já estiveram bem perto.
E você deseja que assim como
você, elas estejam felizes e seguindo aquilo que lhes tornam especiais.
Então, aquele último dia de
férias de verão finalmente chega. É hora de você começar a olhar o nascer do
sol com outros olhos e seguir em frente. Percebendo que tudo mudará a partir
dali.
"Sempre ouvir histórias que diziam que, na faculdade você estaria “por
sua conta e risco”, e até digo que guardava certo medo disso. Mas, percebi que
tudo faz parte do processo... Até mesmo levar umas belas broncas de suas amigas
“pra cair na real”." (Allyne Araújo, 2015).
É claro que a saudade vai
bater... No começo você vai querer está sempre em contato, mas depois a rotina
se altera, novos amigos chegam, e novos ensinamentos também. Nada é como
antes.
Há algo de interessante em seguir
em frente com a vida. Você começa a perceber que o mundo não gira em torno de
você, que não pode ter ou fazer tudo que deseja, mas começa a andar com as
próprias pernas, a assumir responsabilidades e isso nos torna livres: para
sermos quem realmente somos.
Não é uma forma definitiva de
dizer adeus ao passado e esquecer-se dos elementos que se juntaram para que
você pudesse chegar até aqui, mas um meio de agradecer por ter sobrevivido a
isso, ter aprendido com outras pessoas... E mais importante de tudo: saber o
melhor momento de deixa-las ir.
Afinal, a única coisa que podemos dizer que é realmente
nossa são as memórias. As incríveis relíquias do tempo.
"Xícaras de aniversário de 15 anos da Allyne, dadas por Bruna e
Roodielma; Caderninho de recados e citações de amigos. Cartas e mais cartas da
Andréia, Rood e Bruna, assim como bilhetes de fofoca e informações trocados em
meio às aulas."
"Nataly; Andréia; Bruna; Roodielma; Allyne."
Um dia, lá em 2005/2006, eu me perguntava
como viveria sem minhas amigas, e hoje agradeço por elas jamais me deixarem. Roodielma
e Andreia, obrigada por me “obrigarem” a fazer o vestibular. Nataly, obrigada
pelos puxões de orelha, sem eles eu nunca me daria conta da realidade. Bruna,
obrigada por ter sido minha irmã mais velha quando eu precisei. E
novamente Rood, obrigada por todos esses 21 anos de amizade juntamente com a
Rossana, vocês duas são especiais.
"E ainda existem pessoas que acreditam na ideia de que os anos no
colégio são um inferno. É claro que são! Mas, se você nunca parar para respirar
e refletir acerca de tudo que já viveu nunca irá perceber os detalhes que te
levaram até aqui." (Allyne Araújo, 2015).
Duas pequenas ressalvas: Projeto
realizado em parceria com
Allycia Duarte e
Renata Cipriano em novembro de 2014; Não temos registro fotográfico
das instalações do colégio, porque para isso precisaríamos de autorização de
uso de imagem, e não tínhamos tempo.