terça-feira, janeiro 27, 2015

Nabra em Preto e Branco

Há exatos 11 anos atrás (2004-2015) a turma do 1MB “L” ingressava no hall de novos estudantes de ensino médio do então conhecido “Colégio Dom Orione”, sendo assim constituída de muitos jovens, que em comum compartilhavam sonhos, estudo e a vontade de viver. Muitos destes estudantes não chegaram a se formar com a turma do 3MB “L” em 2006, o que foi uma tristeza, mas possibilitou a entrada de diversos colegas e novas amizades. Desse modo, para muitas pessoas o período do colégio se contextualiza como sendo o inferno, ou o espaço para aprender e viver novas experiências, já para outras significa o lugar de conhecer amigos e pessoas que, possivelmente serão lembradas pelo resto da vida. Por fim, essa pequena sessão fotográfica tem como objetivo principal registrar com um novo olhar os cenários que cercaram o mundo colegial de seis jovens adolescentes, do ponto de vista de uma delas. Fotografando pontos de encontro, objetos que identificam ou lembram todas as jovens envolvidas, situações vividas por elas, entre outros elementos que significam certa simbologia, com o intuito de demonstrar que há amizades que nunca morrem, e se fortalecem em pequenos detalhes.

####N.a.B.r.A#### 

O que muda na vida de cada pessoa em 11 anos? E que fim leva cada um dos amigos que passam por nossas vidas e, ainda, será que eles também recordam de lugares, objetos e situações como nós estamos a relembrar aqui e agora? E o que seria dos seus últimos momentos de ensino médio se ao seu lado não estiver pessoas que você se lembraria pelo resto da vida? Às vezes o que lhe separa do seu passado é simplesmente um rio, uma rua, uma pequena elevação... E o triste é aceitar que seus amigos já não estão com você.


"Foram muitas as manhãs e tardes em que descemos e subimos essas ruas, seja para apenas apreciar a vista do lado velho da cidade, ou apenas para acompanhar amigos e conhecidos, entre eles professores de aula, que residiam à outra margem do rio." (Allyne Araújo, 2015).

Muitos podem dizer que não, mas a escola é o local aonde mais nos sentimos livres para escolher e brigar pelas companhias que queremos, assim como também é lugar de sonhos e superação de desafios. E também, momento de jurar amizades eternas. 



"No caso dessa foto, me apropriei de uma imagem de minha irmã com suas amigas – já que a mesma também trabalhou no projeto – para exemplificar o que fazíamos em sala de aula. Nossa brincadeira era simples, como pedra, papel e tesoura (com verdadeiros tapas de deixar marcas roxas) e diversos joguinhos de desfio de atenção – acredite se quiser!". (Allyne Araújo, 2015).

Às vezes, você só espera que a aula termine rápido e que possa sair pela rua e curtir as coisas de que mais gostar e, em outras, você nem se interessa em saber se aquilo lhe fará falta um dia. Quer mais é saber de matar aula e viver intensamente o momento.




"Até hoje não compreendo o porquê de eu não andar por aí em um Skate, embora eu saiba muito bem a sensação e liberdade que esse pequeno brinquedinho proporciona. Isso marca as muitas vezes que minhas amigas mataram aula ou simplesmente fugiram de casa para encarar desafios maiores, como por exemplo, passar dias sem dar notícia ou curtirem uma tarde em passeios nas cidades vizinhas." (Allyne Araújo, 2015).   


"Se eu fui uma aluna de ensino médio exemplar? É claro que não. Se eu me esforçava para tirar boas notas? É claro que sim, mas se você perguntar se eu prestava atenção, sentava ao fundão, conversava demais com o orientador educacional e desenhava demais coisas sem sentido, ai sim, você está falando de quem eu fui." (Allyne Araújo, 2015).

E um dia você acorda e diz “é, eu era bom nisso (matar aula), mas meus filhos não podem saber que não fui um bom garoto na escola”, e você até sabe que eles lhe desobedecerão, mas “é hora de assumir responsabilidades”. Crescer e amadurecer.



"Crescer leva todo um processo. E a quem diga que não, mas é verdade. Uma das coisas que mais ouvir no meu ensino médio foi: “você precisa crescer e arcar com suas responsabilidades”, hoje me dei conta que, você passa a vida toda querendo ser gente grande, mas é quando você se ver como gente grande que mais parece uma idiota em meio a tantos idiotas que pensam sob a mesma caixa. Por isso, amadurecer é muito mais que simplesmente crescer." (Allyne Araújo, 2015).

Em uma tarde qualquer, você se pega pensando naquela vista e imagina quantas vezes esteve perdido sem saber que caminhos escolher, que faculdades cursar, ir embora ou ficar... Enquanto a lição de casa ia se perdendo pela mesa.



"É incrível como vão dizer que você precisar ser mais centrado, concentrado, conectado, fluido e regrado. No entanto, como você será um bom adulto se tudo que é tido como bom é em tese proibido? Não falo de drogas, sexo e festas, mas ser podado de se sentir livre para decidir e errar sobre o que realmente quer e fazer o que realmente lhe faz bem. E depois dizem que os jovens são complexos." (Allyne Araújo, 2015).

E quando tudo se finaliza: a formatura, as trocas de telefone, endereços e felicitações, você sempre guardar alguma coisa consigo, pois é uma forma de lembrar que suas amigas não estão aqui, mas já estiveram bem perto.




E você deseja que assim como você, elas estejam felizes e seguindo aquilo que lhes tornam especiais. 



Então, aquele último dia de férias de verão finalmente chega. É hora de você começar a olhar o nascer do sol com outros olhos e seguir em frente. Percebendo que tudo mudará a partir dali.


"Sempre ouvir histórias que diziam que, na faculdade você estaria “por sua conta e risco”, e até digo que guardava certo medo disso. Mas, percebi que tudo faz parte do processo... Até mesmo levar umas belas broncas de suas amigas “pra cair na real”." (Allyne Araújo, 2015).

É claro que a saudade vai bater... No começo você vai querer está sempre em contato, mas depois a rotina se altera, novos amigos chegam, e novos ensinamentos também. Nada é como antes.




Há algo de interessante em seguir em frente com a vida. Você começa a perceber que o mundo não gira em torno de você, que não pode ter ou fazer tudo que deseja, mas começa a andar com as próprias pernas, a assumir responsabilidades e isso nos torna livres: para sermos quem realmente somos.



Não é uma forma definitiva de dizer adeus ao passado e esquecer-se dos elementos que se juntaram para que você pudesse chegar até aqui, mas um meio de agradecer por ter sobrevivido a isso, ter aprendido com outras pessoas... E mais importante de tudo: saber o melhor momento de deixa-las ir.




Afinal, a única coisa que podemos dizer que é realmente nossa são as memórias. As incríveis relíquias do tempo.



"Xícaras de aniversário de 15 anos da Allyne, dadas por Bruna e Roodielma; Caderninho de recados e citações de amigos. Cartas e mais cartas da Andréia, Rood e Bruna, assim como bilhetes de fofoca e informações trocados em meio às aulas." 

"Nataly; Andréia; Bruna; Roodielma; Allyne."




Um dia, lá em 2005/2006, eu me perguntava como viveria sem minhas amigas, e hoje agradeço por elas jamais me deixarem. Roodielma e Andreia, obrigada por me “obrigarem” a fazer o vestibular. Nataly, obrigada pelos puxões de orelha, sem eles eu nunca me daria conta da realidade. Bruna, obrigada por ter sido minha irmã mais velha quando eu precisei. E novamente Rood, obrigada por todos esses 21 anos de amizade juntamente com a Rossana, vocês duas são especiais.



"E ainda existem pessoas que acreditam na ideia de que os anos no colégio são um inferno. É claro que são! Mas, se você nunca parar para respirar e refletir acerca de tudo que já viveu nunca irá perceber os detalhes que te levaram até aqui." (Allyne Araújo, 2015).


Duas pequenas ressalvas: Projeto realizado em parceria com Allycia Duarte e Renata Cipriano em novembro de 2014; Não temos registro fotográfico das instalações do colégio, porque para isso precisaríamos de autorização de uso de imagem, e não tínhamos tempo. 

4 comentários:

Pandora disse...

Estou emocionada!!! Fico meio sem palavras... Fiquei nostálgica porque já se passaram muitos anos... Fiquei feliz por você, porque está cheia de boas lembranças e estou aqui comigo mesma e minhas emoções!

Erica Ferro disse...

Que beleza de projeto fotográfico!
Lembro que você me contou que o faria e sabia que iria ficar bacana, mas ficou mais bacana do que eu esperava. Você está tomando gosto mesmo pela fotografia! Também... como é possível não gostar dessa arte?
Fotografia não é só técnica, mas também é a arte, e a arte é o fotógrafo quem faz, seja eternizando momentos ou fazendo ensaios retrospectivos, para relembrar certos momentos e épocas especiais.
Eu adorei essa sua ideia. Sinto muita saudade dos tempos de escola também, especialmente da bagunça, dos momentos de descontração e dos amigos. De aprender também, especialmente com os amigos e com as situações do dia a dia.
Adorei mesmo, Allyne. As fotografias ficaram lindas!

Um abraço!

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Andréia Oliveira disse...

Simplesmente lindo, muito, muito obg pelas palavras, muito emocionante, são momentos inesquecíveis que ficaram guardados pra sempre. Lindo seu trabalho, parabéns!!! bjs

Bia Jubiart disse...

Oi Linda!

Viajei no tempo... Do meu tempo rsrsrsrsrs, que é bem diferente dos seus, mas os sentimentos são muito parecidos...
Não deu para ler tudo, as letras claras com o fundo claro, ficou tudo sombra, para quem já é cegueta rs.
Amei as imagens!
Bjosssss