quarta-feira, março 16, 2011

Terça-Feira ao mar!

"Definitivamente há uma certa época no ano em que as coisas que você fala para si mesmo não provocam os mesmos efeitos nas pessoas que te ouvem. Como se fosse uma grande comédia, e você o astro principal que todos querem seguir o exemplo ou dá pitacos e conselhos vãos acerca de caminhos específicos. Este definitivamente não é um daqueles momentos esquizofrênicos e existenciais, nem tão pouco ajuizados. E sim um daqueles em que você acorda ou sonha que esta em um desfiladeiro entre seu eu, ego e superego, ou passado, presente e futuro, ou como queira chamar. Um dos incontáveis momentos em que você nao consegue se enxergar  como um ser não mais criança, nem tão pouco jovem ou velho. É um daqueles dias ou noites de não ser. E você começa a pensar no seu futuro.. Como será daqui 5, 15, 35 anos? Terei filhos, casa, emprego, ou no mínimo namorado? Terei conseguido realizar o sonho adolescente de aprender a dirigir e sair por aí fotografando paisagens e pessoas estradas a fora? Morrei de câncer, coração ou bem velhinha de morte morrida em uma cama, numa casa de campo rodeada por montanhas e cavalos, segurando nas mãos a foto de quando ganhei meu primeiro violão? Definitivamente, são questionários e devaneios como estes que assolam minha noite de terça, que me corroem os segundos do relógio, me avisando que daqui a pouco serão meia noite.. Que não me deixam se concentrar na linda melodia e letra que toca agora no rádio, não sei se Chico ou Gil, não importa, é tarde ou cedo para saber, e o sono me devora tal como o manto de morfeu o céu estrelado com lua ao meio lá fora. É hora de partir, rumo ao sonho ou acordar definitivamente de vez!"            
Allyne Araújo

2 comentários:

Ana Seerig disse...

Ótimo texto. Tem horas que pensamos coisas, achamos, lógicas, mas que em voz alta parecem não ter sentido. Tem horas que pensamos, pensamos, pensamos... Simplesmente não conseguimos parar, apesar de simples, é complexo...


Ótimo texto!

Long Haired Lady disse...

eu já estou fazendo isso ao contrario, fico comparando o que sonhei ou planejei, ou dei como certo ao que vivo hoje…
de certo modo sempre fazemos isso, sonhamos.